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Produtor rural está cada vez mais distante de antigos estereótipos ligados à vida no campo

29 jul

À frente de negócios que envolvem múltiplos riscos e movimentam milhões de reais, o produtor precisou incorporar tecnologia e conhecimentos multidisciplinares.

Um playboy que enriqueceu às custas da produção rural e desfila de caminhonete zero quilômetro. Um caipira mal instruído que vive da subsistência. Se essas são as imagens que você tem de um agricultor, leia essa reportagem até o final para desfazer esses equívocos. E, caso a ideia tenha se restringido a uma figura masculina, leia também os links ao lado. No Dia do Agricultor(a), celebrado nesta terça-feira (28), o Agronegócio Gazeta do Povo mostra que não há mais espaço para estereótipos no campo.
 
“A visão coronelista do agricultor ou aquela dos filmes de humor do Mazzaropi praticamente não existem mais. A sociedade está percebendo isso”, aponta o coordenador do Núcleo de Agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), José Luiz Tejon Megido. À frente de negócios que envolvem múltiplos riscos e movimentam milhões de reais, o produtor precisou incorporar tecnologia e conhecimentos multidisciplinares.
 
Essa mudança vem à tona em estudos que revelam agricultores com hábitos mais urbanos. Além de mais presente na cidade, o produtor rural aderiu à era da informação ampliando o consumo de notícias e dedicando mais tempo aos estudos (veja gráfico). Isso explica por que agricultores como os irmãos Erik e Rudolf Petter, de Castro, nos Campos Gerais, não desgrudam das ferramentas tecnológicas como o smartphone e o tablet. “Antes o produtor acompanhava só a previsão do tempo e o resto precisava ir à cooperativa para saber. Hoje é preciso ficar de olho nos preços, na Bolsa de Chicago, nos acontecimentos políticos do país”, diz o primogênito Erik.
 
A transformação muda até a maneira de fazer negócios. Neste mês, os Petter venderam R$ 80 mil em touros por meio de um aplicativo de celular. “Já mandei animal até para o Acre sem ver a cara do comprador”, relata Rudolf.
 
O cenário faz da qualificação uma peça chave. Pós-graduações e cursos complementares atraem adeptos do campo para profissionalizar a gestão. “Hoje o produtor não é mais um simples fornecedor. Ele comanda o negócio”, observa Joseli Machado Corominas, coordenadora do Centro Europeu, que lançou um curso de Gestão do Agronegócio.
 
“Temas como robótica, telecomunicação e gestão de dados vão se tornar rotina nas fazendas. Como é impossível entender profundamente de tudo, o papel do agricultor será organizar esses conhecimentos”, diz Tejon.
 
Essa é a estratégia adotada pelo agricultor Florian Schudt, de Itaberá (SP), que comanda a fazenda com a postura de um CEO. Agrônomo por formação, ele aproveita a passagem no curso de Economia e o MBA em Gestão de Risco no Agronegócio para analisar minuciosamente cada gasto da propriedade. “Tudo é um cálculo econômico. Buscamos uma alocação eficiente de recursos, investindo sempre com uma expectativa de obter o retorno.” A estratégia o ajudou a ampliar a área plantada de 1,2 mil hectares em 2009 para 3,2 mil atuais.
 

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