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Ferrovia barateia escoamento de biodiesel de MT

24 mar

Segundo maior produtor de biodiesel do país, Mato Grosso agora tem estrutura para escoar sua oferta atual por ferrovia até a refinaria de Paulínia, em São Paulo.

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, inaugurou ontem um terminal ferroviário de combustíveis no município de Rondonópolis que, em larga medida, terá justamente essa finalidade. O projeto gerou expectativa no Estado pela redução de custos que promete garantir na comparação com a utilização de rodovias.

O transporte do biodiesel puro (B-100) de Rondonópolis a Paulínia será realizado nos mesmos vagões que agora poderão levar gasolina e diesel da cidade paulista até o polo agrícola mato-grossense. Por caminhão, são cerca de 2 mil quilômetros.

Nas contas da Raízen, essa otimização do transporte, com a ocupação dos vagões ferroviários na ida e na volta, possibilitará um ganho de eficiência de 27% na distribuição de combustíveis na região, segundo Leonardo Pontes, diretor-executivo de logística da empresa. E boa parte desse ganho virá da redução dos fretes.

A Raízen, cujo faturamento anual supera R$ 50 bilhões, começou a transportar biocombustíveis por trilhos em 2013, com o transporte de biodiesel de Esteio (RS) até Araucária (PR).

Na base de distribuição ferroviária da empresa em Alto Taquari (MT), o uso do modal para o escoamento de biocombustíveis entrou em escala comercial em 2014, puxado pelo etanol produzido no sul de Goiás, tanto na usina própria da companhia, localizada em Jataí, como em outras unidades da região.

Com o terminal de Rondonópolis, todo o biodiesel de Mato Grosso que até agora chegava a Paulínia em caminhões deverá seguir em vagões. Com isso, a empresa espera ampliar significativamente o volume total de biocombustíveis que movimenta por ferrovias no ciclo 2015/16, que terá início em abril.

A área de distribuição de combustíveis da Raízen projeta que deverá movimentar no mercado interno 3,8 bilhões de litros de etanol e outros 700 milhões de litros de biodiesel nesta temporada 2014/15, que terminará no dia 31 deste mês. Do total de 4,5 bilhões de litros, 20% serão escoados por trilhos, disse Pontes. "Com Rondonópolis, esse percentual vai dobrar", previu.

A maior parte do biodiesel de Mato Grosso é produzido em um raio de cinco a dez quilômetros do novo terminal da Raízen em Rondonópolis, construído às margens da malha da América Latina Logística (ALL) - agora também controlada pela Cosan por meio da subsidiária Rumo Logística.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2014 o Brasil produziu 3,4 bilhões de litros de biodiesel e Mato Grosso representou 18% desse volume (611 milhões de litros).

Aproximadamente 400 milhões de litros vieram de unidades de processamento localizadas em Rondonópolis, incluindo as das multinacionais americanas ADM (161 milhões de litros) e Bunge (115 milhões de litros) e a da asiática Noble (116 milhões). É difícil saber como o ganho de eficiência calculado pela Raízen em 27% vai se distribuir ao longo da cadeia produtiva.

Mas, conforme o diretor de logística da empresa, o novo terminal tende a mudar o patamar de competitividade de Mato Grosso em biodiesel em relação a seu maior "concorrente", o Rio Grande do Sul. Do total de 700 milhões de litros que a Raízen movimentará em biodiesel no ciclo 2014/15 em todo o Brasil, em torno de 50% virão de Mato Grosso e 40% de fábricas gaúchas.

"A projeção é que o biodiesel mato-grossense amplie sua participação em 10 pontos percentuais nos próximos cinco anos, pois é aqui que está a maior produção de soja do país e os maiores potenciais de crescimento na fabricação de biodiesel", afirmou Pontes.

Em 2015/16, segundo ele, a Raízen deverá movimentar 830 milhões de litros de biodiesel no Brasil, em virtude do aumento do percentual de biodiesel no diesel, de 5% para 7%, em vigor desde o último trimestre do ano passado, e também desse crescimento de "market share".

Desde sua implementação no país, há quase dez anos, o mercado de biodiesel é regulado pelos leilões da ANP, que define os volumes a serem adquiridos a cada bimestre e estabelece os limites para os preços de comercialização. Mas Leonardo Gadotti Filho, vice­presidente de Logística, Distribuição e Trading da Raízen, não tem dúvidas de que esse mercado vai mudar um dia no Brasil.

"E, quando isso acontecer, o diferencial será a logística", afirmou Gadotti. Atualmente, o biodiesel B-100 pode ser adquirido apenas por uma distribuidora de combustível, que o mistura, na proporção permitida, no diesel que é distribuído no país. "

Quando o mercado se abrir, poderemos movimentar volumes bem maiores do produto, uma vez que atuaremos também como trading de biodiesel", disse o executivo.

 

Fonte: Valor Econômico

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